Estimular os Sentidos & Criatividade 

Com o aumento da longevidade e consequentemente o aumento da dependência, urge a necessidade de procurarmos soluções sociais inovadoras, por forma a complementar as já existentes e fazer face aos problemas que nos devastam diariamente. É o caso dos seniores que têm disfagia para sólidos e que ficam restritos aos “montes” de purés ou então à tradicional sopa pastosa. 

Perdendo desta forma o gosto e prazer pela comida 
O próprio processo de envelhecimento também ele provoca alterações, nomeadamente ao nível sensorial, como o paladar e o olfato, em que o doce é a última sensação a ser diminuída. E é por este motivo que se diz que os seniores são por norma muito “gulosos”. Já para não falar, da muita medicação que as pessoas regra geral fazem e que pode também ela limitar a escolha alimentar e condicionar por vezes alterações do paladar e olfato. 

Um outro fator, e não menos importante, é a falta de dentes ou o uso de próteses dentárias, esta última situação, para além de diminuir a sensibilidade, na maioria das vezes estão desadaptadas, dificultando também a mastigação, principalmente em relação a alimentos de cariz proteico, como é o caso da carne. E o facto de passar, a ter que ser triturado ou picado, deixa de ser um prato atrativo para além do confronto com mais uma diminuição de capacidade. A pensar nestas dificuldades, os países como a Holanda, desenvolveram técnicas, modificando a consistência dos alimentos depois de confecionados e com o auxilio de utensílios, como é o caso de formas com formatos de alimentos, para criarem refeições apelativas, mas ao mesmo tempo com consistência mole, permitindo a deglutição de quem tem disfagia para sólidos como para quem tem dificuldades de mastigação. (Ver figura) 

Claro que esta solução, necessita também que em Portugal, os especialistas na cozinha portuguesa e na alimentação adaptada “agarrem” esta vertente da cozinha e desenvolvam um projeto que se adeque á população sénior, que tanta necessidade tem, á semelhança como já foi desenvolvido para a infância. Desejo que as soluções desenvolvidas para esta faixa etária, compreendam estas dificuldades e reestruturem a cozinha por forma a não deixarmos que os nossos seniores percam o gosto e o prazer de alimentarem-se. Em conclusão, acredito que a Inovação e a Tecnologia podem ser uma ferramenta bastante poderosa para o desenvolvimento de novas técnicas de confeção e apresentação de uma alimentação saudável, mas em simultâneo atrativa, por forma a zelarmos pelo bem-estar e qualidade de vida de quem um dia o fez por nós! 

Termino com um trecho de Fernando Pessoa, “Navegar é preciso; viver não é preciso”