Estamos numa altura em que muito se tem falado sobre a importância da Inovação e Tecnologia para o desenvolvimento da Economia do País.


Contudo o vetor da área social é por vezes descorado ou pelo menos não lhe é dado o seu verdadeiro valor. Mas é bom relembrar, que a economia social é já hoje, uma fatia com grande peso no PIB do País, não só por ser uma área que está em crescimento, mas também pelo aumento da taxa de empregabilidade que proporciona. Por isso é de enaltecer quando acontecem iniciativas que promovam a Inovação e a Inclusão Social no nosso país.


Á semelhança de Portugal, também a Europa aposta na Inovação Social e no setor da economia social como um evidente eixo do desenvolvimento económico e inclusão social.

É por este motivo, que não tenho dúvidas que as instituições sociais devem ter como propósito de sua existência, a missão de criarem valor para a sociedade, ou seja, originarem impacto através da procura de resolução de problemas que atualmente ainda não estão resolvidos de

forma eficaz e eficiente por outros motores económicos.


Acredito que chegou o momento de procuramos as soluções sociais inovadoras, por forma a complementar as já existentes e fazer face aos problemas que nos devastam diariamente.


Considero que será importante desenvolver espaços de lazer e de interação social, adequados às necessidades dos seniores dos dias de hoje, que são diferentes das dos seniores de há vinte anos atrás. Hoje temos pessoas com 65 anos reformadas, mas com uma perspetiva de

vida de mais 15 a 20 anos. Facto que se deve ao aumento da longevidade. Pessoas estas que têm hábitos de vida diferentes e que estão ainda na plenitude das suas capacidades físicas e cognitivas. Assim, há que reformular por exemplo o conceito das respostas sociais de Centro de Dia e de Centros de convívio existentes atualmente, pois são respostas que estão definidas e organizadas para fazerem face às necessidades dos seniores de há 20 anos atrás e que ainda hoje se mantém. Hoje, os nossos reformados, pois custa-me chamá-los de seniores, até porque em alguns casos não têm 65 anos, devido às reformas antecipadas, são destinados a tomar conta dos netos e ajudarem os filhos. É este o projeto de vida da pessoa.

É, portanto, deste paradigma que falo, e que é pertinente abordá-lo o mais precocemente, para que se evitem estados de solidão, de depressão e até de inutilidade, que por sua vez levam á necessidade de cuidados de saúde.


Pensando em voz alta, deveria existir um acompanhamento da pessoa, através do seu médico de família em cooperação com outras identidades, para formular ou dar continuidade ao Projeto de Vida da pessoa. Os centros de saúde, a maioria, já conta com acompanhamento psicológico, apenas teria que ser redirecionado também para estas situações. E somente para ajudar a pessoa a delinear a continuação do seu caminho.

Claro que esta solução, necessita também que a própria comunidade tenha soluções que se adequem, nomeadamente Clubes com atividades de lazer e lúdicas ajustadas e sem compromisso efetivo de estarem das 9h às 17 horas, de 2ª a 6ª feira. A tomada de decisão não pode ser retirada. Deverá existir um regime mais aberto e alargado às necessidades de cada pessoa. Tal como por exemplo, existem os clubes de ginásio, em que cada um, vai fazer a sua aula à hora que mais lhe convém. Ora que assim seja, também com as soluções desenvolvidas para esta faixa etária, que compreendam esta mudança de paradigma e reestruturem o seu plano de atividades. Deixo este alerta para a comunidade, pois considero que será importante desenvolver este tipo de espaços de lazer e de interação social.


Em conclusão, acredito que a Inovação e a Tecnologia podem ser uma ferramenta bastante poderosa para o desenvolvimento dos novos espaços referidos anteriormente, por forma a zelarmos pelo bem-estar e qualidade de vida de quem um dia o o fez por nós!


Termino com um trecho de Fernando Pessoa, Navegar é preciso; viver não é preciso”